Da Super grávida de Taubaté, à desocupação do Pinheirinho…
No Jargão dos jornalistas a Barriga acontece quando um veículo ou jornalista publica notícia ou informação que depois não se confirma, ou contém erro, e é reproduzida por vários outros veículos de imprensa !
No caso da “Super-Grávida de Taubaté” a Barriga foi enorme… A Notícia veiculada inicialmente mostrou a mulher grávida de quadrigêmeos, suas angustias e necessidades, e não se preocupou em checar se a mulher estava realmente grávida, mesmo com a desconfiança sobre o “tamanho e o formato da barriga” . A ansiedade pelo “furo” de reportagem, a superficilidade de colegas que aceitam as informações como fato e não costumam checar antes de publicar, aliado a pressão das redações pela necessidade da entrega do material no prazo induziu o jornalista ao erro. Não bastassem todos esse elementos, a concorrência e o imediatismo (reforçado em especial pela velocidade da internet, e das redes sociais), chamou a atenção de vários veículos de imprensa do Rádio e da TV, além de Jornais e seus respectivos sites de notícias, que reproduziram as fotos e a notícia alardeando a gravidez e gerando uma verdadeira enxurrada de doações, convites para participção de outros programas e até disputa pela exclusividade no acompanhamento da suposta gravidez em grandes emissoras de Rede Nacional.
Já era tarde todos beberam da mesma fonte e “Barriga” da falsa barriga rodou o mundo !
Até que alguém, um repórter da Rede Record (Salvo Melhor Juízo), resolveu convidar a mulher para uma visita a um médico , e o resto da estória todos já conhecem … Mas aí a notícia que virou “Barriga” , precisava ser desconstruída pela própria imprensa que a havia elevado ao status de “Pauta de interêsse nacional “, e mesmo ante as evidências de que a gravidez era falsa, durante mais de uma semana todos os veículos adotaram a cautela e passaram a dar a notícia de uma “Suposta Gravidez”, nem confirmando tratar-se de uma gravidez falsa, nem negando a possibilidade de ser verdadeira…
Como já era tarde o jeito era buscar os especialistas no assunto, antes tarde do que nunca, o que deveria ter sido feito na primeira reportagem virou pauta em todos os programas, médicos, obstetras, ginecolocigstas, psicólogos e etc foram chamados as pressas para tentar explicar o que era óbvio mas a “Barriga” não deixou ver !
Claro que a pauta de Variedade virou caso de Polícia e os advogados entraram em cena, a partir daí os órgãos de imprensa aproveitaram mais um pouco da popularidade e da repercussão do caso.
Quando finalmente a verdade veio à tona virou mais um brincadeira de carnaval com a fantasia de falsa grávida se tranformando no mais novo sucesso de vendas para o comércio da festa popular !
O caso deveria servir de lição para internautas que reproduzem tudo o que recebem em redes sociais como verdade absoluta, mas principalmente para jornalistas, editores, chefes de reportagem, e veículos de imprensa em geral que são os que tem a responsabilidade em checar os fatos antes de reproduzir uma notícia !
Um Cachorro fazendo xixi num poste, é um Fato, mas não é uma notícia ! Mas se o Poste Mijar no Cachorro, pode ser notícia, só é preciso checar se foi um Fato. !!
No caso da Desocupação do Pinheirinho: Barriga, Desinformação ou Má Fé !
Da mesma forma a Manipulação da imprensa através dos releases (informações produzidas por jornalistas) para veiculação em órgãos de imprensa também começam a incomodar, jornalista que recebe um release de outro colega e reproduz sem questionar, sem pesquisar, sem ouvir o outro lado, corre o risco de comer Barriga, ou pagar Mico em rede nacional !
Pior é a falta de interêsse dos jornalistas em geral para obter mais conhecimento sobre os fatos antes de tecer comentários, não checar a fonte, “comprar” a briga sem sequer ter visto porque ela começou, falhas normalmente atribuídos aos Focas (estagiários) mas isso acontece diariamente em veículos de credibilidade e por jornalistas experientes, muitas vezes induzidos ao erro pela equipe que lhe dá suporte, outras apenas pela acomodação de aceitar passivamente “o Peixe com o lhe venderam”e reproduzir e repercutir, sem fazer seu papel: Questionar !
Foi assim com a imprensa nacional na cobertura da desocupação do Pinheirinho em São José dos Campos, erros graves como o da Agência Brasil que noticiou mortes durante a ação policial e teve que se retratar, no renomado jornalista Chico Pinheiro da Rede Globo que olhando imagens aéreas (do Bairro Campo dos Alemães) atribuiu ao terreno Pinheirinho a infraestrutura de Asfalto, Água e Luz. Com Ricardo Boechat criticando a ação violenta da polícia na Band, jornais como a Folha e o Estadão publicando notícias com números absurdos, e outros diversos erros que mostraram ao Brasil uma imagem negativa de São José dos Campos.
Em que pese a Imprensa Local tenha sido recentemente elogiada pelo Prefeito Eduardo Cury, pela cobertura correta que deu ao caso Pinheirinho, não podemos eximí-la da responsabilidade pelos absurdos veiculados na mídia nacional ! que a imprensa Joseense é fraca todos já sabemos, há muito tempo estamos diminuídos (no âmbito nacional) as informações das estradas, do Inpe ou da Embraer, e na cobertura dos “presos famosos” nos presídio de Tremembé.Os veículos da região só fornecem aos noticiários nacionais os factóides e o sensacionalismo, ou se submete a pauta solicitada pelos distantes editores no Rio ou em São Paulo e que nem sabem o que é, e onde fica o Pinheirinho !
Quem deveria dar o suporte correto as redações e as chefias de reportagem dos veículos nacionais, era a imprensa local ! Mas para os pomposos “Profissionais da Informação” cada vez mais com status de popstar, não passamos de um bando de caipiras e não temos credibilidade nem competência para suportar a cobertura de um caso com repercussão nacional.
E para os chefes de redação e diretores de jornalismo regionais, falta a força, a vontade, a determinação de impor sua vontade, de valorizar e fazer valer a produção regional e de não ser apenas um menino de recados das cabeças de rede, mas demosntrar que tem competência inclusive para ancorar a notícia invertendo a lógica !
O Mestre Roberto Wagner escreveu sobre o assunto em sua coluna no Jornal O Vale: ” Na minha longa experiência de jornalista, nunca vi um acontecimento ser tão distorcido pela imprensa como foi a desocupação do Pinheirinho. Tudo devido a extrema competência do PSTU… Eles conseguiram que a imprensa só divulgasse imagens comoventes das famílias invasoras…”
Permita-me discordar: A imprensa não distorceu o acontecimento, ela só não fez o seu papel, não checou a informação, não consultou a imprensa local, reproduziu imagens e textos pelo imediatismo da notícia.Induzidos ao erro ” Jornalistas de alta competência” se deixaram manipular pela competência do PSTU (aí concordamos) que fez com que a versão deles se trnsformassem em verdade absoluta, já que nem a imprensa local, nem a assessoria de comunicação da Prefeitura ou do Governo do Estado conseguiram mostrar o outro lado com a mesma competência.
Se reproduziram e difundiram somente um lado da notícia (mentiras ou não) por desinformação, erraram no princípio básico dos manuais do jornalismo, se o fizeram por Má Fé (ou interêsses políticos-partidários) falharam no caráter e na ética que lhes dá a credibilidade para entrarem em nossas casas, nos computadores, nos rádios, Tvs e Jornais, todos os dias.
Mas o estrago já está feito, e o leite derramado ! Ou mudamos essa triste realidade ou nossos jornalistas continuarão aparecendo em Rede Nacional cobrindo a saída e chegada de Presos Famosos aos presídios da região.!
Eduardo Pandeló

















